A investigação sobre a morte da adolescente Thamiris dos Santos Pereira
, de 14 anos, começa a ganhar contornos mais claros, e, ao mesmo tempo, mais chocantes. A Polícia Civil da Bahia já trabalha com uma linha definida: o crime pode ter sido encomendado e executado com a participação de mais de uma pessoa.Nesta sexta-feira (20), novas diligências, prisões e um desdobramento judicial importante colocam nomes no centro do caso.
Mandante preso e motivação: vingança
No topo da linha investigativa está Davi de Jesus Ferreira, de 32 anos, apontado como o possível mandante do crime. Preso desde fevereiro no Conjunto Penal da Mata Escura, ele teria ordenado a morte da adolescente após acreditar que Thamiris foi responsável por denunciá-lo à polícia por agressão contra a companheira.
A motivação, segundo a polícia, seria vingança. Mesmo já custodiado, Davi passou a ser alvo de um novo mandado de prisão preventiva relacionado diretamente ao homicídio.
Segundo o delegado Moisés Damasceno, do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), ainda não há confirmação de que Thamiris tenha sido a responsável por denunciar Davi de Jesus Ferreira por violência doméstica. A suspeita surgiu no curso da investigação, mas, até o momento, não há elementos concretos que sustentem essa ligação.
"No último dia 12, Thamiris estava saindo da escola quando foi chamada por pessoas envolvidas com o crime na região para conversar. Nesse local, teriam verificado o celular dela e chegaram a conclusão de que ela tinha participação [denúncia contra Davi], mas não sabemos ao certo por quais motivos", explicou o delegado.
A polícia já pediu para Justiça a quebra do sigilo telefônico da adolescente. A análise do conteúdo pode ajudar a esclarecer se há, de fato, alguma relação entre a jovem e a denúncia.
Vizinho da vítima: o homem que teria atraído a adolescente
Outro nome central nas investigações é o de Rodrigo Faria Sena dos Santos, de 37 anos. Preso na quinta-feira (19), ele é apontado como peça-chave na execução da adolescente. Segundo os investigadores, Rodrigo teria sido o responsável por atrair a adolescente até o local onde ela foi morta.
O detalhe que mais revolta moradores: ele vivia no mesmo terreno que a família da vítima e conhecia Thamiris há mais de uma década. Além disso, chegou a participar das manifestações que exigiam das autoridades respostas pelo desaparecimento da menina. Após a prisão, a casa onde ele morava foi depredada por populares.
Novo desdobramento: audiência de custódia marcada
Preso por por homicídio qualificado, Rodrigo passa por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira (20). Na audiência, a Justiça avalia a legalidade da prisão e decide se o suspeito permanece detido.
Buscas, sangue e celulares: o que a polícia encontrou
Na manhã desta sexta-feira (20), equipes da Polícia Civil e do Departamento de Polícia Técnica intensificaram as buscas em Itinga, em Lauro de Freitas. Foram cumpridos mandados em três imóveis e em um trecho da Rua Antônio das Neves.