Um estudo recente acendeu um alerta sobre um possível efeito colateral associado ao uso de medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. A pesquisa identificou uma associação entre o uso dessas chamadas “canetas emagrecedoras” e um aumento no risco de queda de cabelo, principalmente entre pessoas que utilizam os medicamentos para perda de peso. Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que a relação observada não comprova que os remédios sejam a causa direta do problema.
De acordo com os especialistas, a explicação mais provável está no emagrecimento acelerado provocado pelo tratamento. A rápida perda de peso pode desencadear o chamado eflúvio telógeno, condição temporária em que um número maior de fios entra precocemente na fase de queda. Além disso, a redução brusca da ingestão calórica e possíveis deficiências nutricionais — especialmente de ferro, zinco, proteínas e vitaminas — também podem favorecer o quadro.
A pesquisa, publicada no periódico científico The BMJ, analisou um grande grupo de pacientes com diabetes tipo 2 e verificou que usuários de medicamentos agonistas do receptor GLP-1 apresentaram uma incidência maior de alopecia quando comparados a pessoas tratadas com outras classes de medicamentos. Ainda assim, os autores destacam que o risco absoluto continua sendo considerado baixo e que a maioria dos casos envolve queda de cabelo não cicatricial, permitindo o crescimento dos fios após a recuperação do organismo.
Dermatologistas explicam que o eflúvio telógeno pode surgir alguns meses após um período de estresse físico para o organismo, como cirurgias, infecções, gravidez ou emagrecimento intenso. Nesses casos, a queda costuma ser temporária e tende a diminuir gradualmente com a estabilização do peso e a correção de eventuais deficiências nutricionais.
Para reduzir o risco, especialistas recomendam que o tratamento seja acompanhado por médico e nutricionista, garantindo ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais, além de evitar perdas de peso muito rápidas. Também não é aconselhável aumentar a dose dos medicamentos por conta própria ou interromper o tratamento sem orientação profissional.
A recomendação é que pacientes que percebam aumento significativo da queda de cabelo procurem o médico responsável pelo tratamento ou um dermatologista para investigação. Na maioria dos casos, o quadro pode ser controlado sem a necessidade de suspender o uso do medicamento, desde que haja acompanhamento adequado e correção das causas associadas.


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